Manter a vacinação em dia é uma das formas mais importantes de proteger não apenas quem recebe a vacina, mas também bebês, crianças, idosos e outras pessoas mais vulneráveis da família.
No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) organiza o Calendário Nacional de Vacinação de acordo com a idade, o histórico vacinal e algumas condições específicas de saúde.
É importante lembrar que não existe um único esquema que funcione exatamente da mesma forma para todo mundo. Uma pessoa com vacinas atrasadas, por exemplo, pode receber uma orientação diferente de quem iniciou todas as doses na idade prevista.
Por isso, este guia serve como referência para ajudar a entender o calendário. A caderneta de vacinação deve sempre ser conferida por um profissional de saúde.
> Atualizado conforme o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde vigente em 2026.
Vacinas na gravidez: proteção para a gestante e para o bebê
Durante a gestação, algumas vacinas ajudam a proteger diretamente a mãe e também favorecem a transferência de anticorpos para o bebê.
Logo na primeira consulta de pré-natal, vale levar a caderneta de vacinação para que a equipe de saúde confira quais doses já foram recebidas e quais precisam ser atualizadas.
Ao saber da gravidez
Dependendo do histórico vacinal, algumas vacinas podem ser indicadas.
Hepatite B
Quando: conforme o histórico vacinal.
Por que é importante: ajuda a prevenir as hepatites B e D.
dT
Quando: conforme o histórico vacinal.
Por que é importante: mantém a proteção contra difteria e tétano.
Influenza
Quando: 1 dose em cada temporada de vacinação.
Por que é importante: ajuda a reduzir o risco de gripe e de complicações durante a gestação.
COVID-19
Quando: 1 dose em cada gestação.
Por que é importante: ajuda a reduzir o risco de formas graves da doença.
O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra influenza para gestantes durante a temporada e uma dose da vacina contra COVID-19 em cada gestação.
A partir da 20ª semana: dTpa
A vacina dTpa protege contra difteria, tétano e coqueluche.
Ela deve ser administrada a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez, mesmo que a gestante já tenha recebido essa vacina anteriormente.
Além de proteger a mãe, os anticorpos produzidos ajudam a proteger o bebê contra a coqueluche nos primeiros meses de vida, período em que a doença pode ser especialmente grave.
A partir da 28ª semana: vacina contra o VSR
A partir da 28ª semana de gestação, o calendário brasileiro prevê uma dose da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em cada gestação.
A imunização materna ajuda a proteger o bebê nos primeiros meses de vida contra complicações associadas ao VSR, como bronquiolite e pneumonia.
E a vacina contra febre amarela?
Durante a gestação, a vacina contra febre amarela não faz parte da vacinação de rotina.
Ela pode ser recomendada em situações excepcionais, principalmente quando a gestante mora ou precisa viajar para uma região com circulação do vírus e não é possível evitar a exposição.
Nessas situações, a equipe de saúde deve avaliar individualmente os riscos e benefícios da vacinação.
Calendário de vacinação do bebê e da criança
Nos primeiros anos de vida, várias vacinas são aplicadas em sequência porque o sistema imunológico da criança ainda está construindo sua proteção contra diferentes doenças.
Ao nascer
Ainda na maternidade ou nos primeiros dias de vida, são indicadas:
* **BCG — dose única** * **Hepatite B — 1 dose**
A BCG ajuda a proteger principalmente contra formas graves de tuberculose na infância.
São previstas:
- Pentavalente — 1ª dose
- Poliomielite inativada (VIP) — 1ª dose
- Rotavírus — 1ª dose
- Pneumocócica — 1ª dose
Em 2026, o SUS iniciou a transição para a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20).
São previstas:
- Pentavalente — 2ª dose
- VIP — 2ª dose
- Rotavírus — 2ª dose
- Pneumocócica — 2ª dose
Por que podem aparecer Pneumo 10 e Pneumo 20 na mesma caderneta?
Isso pode acontecer e, em 2026, não significa necessariamente que houve algum erro.
O Ministério da Saúde iniciou uma transição da pneumocócica 10-valente para a pneumocócica 20-valente.
Durante essa fase, o esquema oficial pode utilizar:
- VPC20 na primeira dose;
- VPC10 na segunda dose;
- VPC20 no reforço aos 12 meses.
O esquema também pode variar de acordo com as doses que a criança já recebeu e com a disponibilidade dos imunizantes durante a transição.
Por isso, a família não precisa tentar decidir por conta própria qual versão da vacina deve ser utilizada. A unidade de vacinação deve avaliar o histórico da criança.
São previstas:
- Pentavalente — 3ª dose
- VIP — 3ª dose
- Influenza — início da vacinação anual
- COVID-19 — início do esquema indicado para a idade
Para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, a vacina contra influenza deve ser feita todos os anos.
Na primeira vacinação contra influenza, são recomendadas duas doses com intervalo de 30 dias.
Nos anos seguintes, uma dose por temporada é suficiente.
COVID-19
No calendário de 2026, o esquema infantil com Comirnaty prevê doses aos:
- 6 meses;
- 7 meses;
- 9 meses.
Crianças imunocomprometidas podem receber recomendações adicionais.
Entre 6 e 8 meses: febre amarela em situações especiais
Nessa idade, a vacina contra febre amarela pode ser considerada excepcionalmente quando existe risco epidemiológico importante.
A decisão deve ser feita pelo serviço de saúde.
São previstas:
- Febre amarela — 1ª dose, conforme recomendação do calendário;
- COVID-19 — dose correspondente ao esquema iniciado anteriormente.
São previstas:
- Pneumocócica — reforço;
- Meningocócica ACWY;
- Tríplice viral (SCR) — 1ª dose.
A tríplice viral protege contra:
- sarampo;
- caxumba;
- rubéola.
São indicadas:
- DTP — 1º reforço;
- VIP — reforço;
- Tríplice viral — 2ª dose;
- Varicela — 1ª dose;
- Hepatite A — dose única.
São previstos:
- DTP — 2º reforço;
- VIP — 2º reforço;
- Varicela — 2ª dose;
- Febre amarela — reforço.
Aos 5 anos
A vacina pneumocócica 20-valente pode ser indicada para povos indígenas sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada.
Ela não é uma dose de rotina para todas as crianças de 5 anos.
Aos 9 anos
Entra no calendário a vacina contra o HPV.
A vacinação contra HPV ajuda a prevenir infecções relacionadas a diferentes tipos de câncer e outras doenças associadas ao papilomavírus humano.
O calendário prevê 1 dose a partir dos 9 anos, com possibilidade de vacinação posterior conforme idade, histórico e estratégias vigentes.
Vacinação de adolescentes e jovens
Mesmo com todas as vacinas da infância em dia, a proteção precisa continuar durante a adolescência.
O histórico vacinal deve ser revisado para identificar doses que possam estar atrasadas.
HPV
Orientação: 1 dose conforme faixa etária e histórico vacinal.
Hepatite B
Orientação: completar o esquema quando necessário.
Febre amarela
Orientação: a indicação depende do histórico vacinal e do risco epidemiológico.
Tríplice viral
Orientação: completar o esquema quando houver doses pendentes.
Meningocócica ACWY
Orientação: há dose prevista aos 11 anos.
dT
Orientação: manter os reforços conforme o histórico vacinal.
Dengue
Orientação: a indicação depende da idade, estratégia de vacinação adotada e disponibilidade do imunizante.
Vacina contra dengue
Em 2026, o SUS possui estratégias diferentes conforme a idade e o imunizante disponível.
De 10 a 14 anos
A vacina da Takeda é utilizada em 2 doses, com intervalo de 3 meses.
De 15 a 59 anos
A vacina produzida pelo Instituto Butantan utiliza dose única.
A ampliação para pessoas de 15 a 59 anos ocorre de forma gradual e depende da disponibilidade de doses e da estratégia definida para cada território.
Por isso, pertencer à faixa etária indicada não significa necessariamente que a vacina já esteja disponível naquele momento em todas as unidades de saúde do país.
Vacinação de adultos de 25 a 59 anos
Adulto também precisa olhar a caderneta.
A vacinação não termina depois da infância — embora muita gente só lembre dela quando vai viajar ou depois daquele clássico “pisei num prego, e agora?”.
Entre as principais vacinas previstas de acordo com o histórico estão:
Hepatite B
Quem ainda não possui esquema completo pode receber as doses necessárias para completá-lo.
dT — difteria e tétano
Quem não possui o esquema completo deve atualizá-lo.
Depois do esquema inicial, são indicados reforços periódicos, geralmente a cada 10 anos.
Em situações com maior risco de exposição ao tétano ou à difteria, esse intervalo pode ser antecipado para cinco anos.
Tríplice viral
A recomendação varia conforme a idade e o histórico de vacinação.
De forma geral:
- até 29 anos: esquema de 2 doses;
- dos 30 aos 59 anos: 1 dose;
- trabalhadores da saúde: 2 doses, independentemente da idade, conforme histórico.
Febre amarela
A indicação depende do histórico vacinal e do risco epidemiológico, especialmente para quem mora ou viaja para regiões com circulação do vírus.
Influenza
Para adultos em geral, a vacina contra gripe não integra a rotina universal do calendário da mesma forma que ocorre para crianças pequenas, gestantes e idosos.
Entretanto, vários grupos de adultos são contemplados nas estratégias anuais de vacinação contra influenza, como profissionais de saúde e pessoas com determinadas condições clínicas.
Dengue
Em 2026, a vacina do Instituto Butantan foi incorporada para pessoas de 15 a 59 anos, em dose única.
A implantação ocorre de forma progressiva, conforme disponibilidade e estratégia local.
Vacinação para pessoas com 60 anos ou mais
Com o envelhecimento, algumas infecções apresentam maior risco de complicações.
Por isso, manter a vacinação atualizada continua sendo essencial.
Influenza
A vacina contra influenza é recomendada todos os anos para pessoas com 60 anos ou mais.
COVID-19
O calendário nacional prevê uma dose a cada seis meses para idosos.
Hepatite B
O esquema pode ser iniciado ou completado caso não exista comprovação de vacinação anterior.
dT
É importante manter o esquema contra difteria e tétano atualizado.
Após o esquema completo, são indicados reforços a cada dez anos.
Febre amarela
Para idosos, a indicação deve ser avaliada individualmente quando existe risco de exposição e a pessoa não está adequadamente vacinada.
O serviço de saúde deve considerar os riscos e benefícios antes da aplicação.
Pneumocócica 20-valente
No calendário do SUS, a VPC20 não é indicada rotineiramente para todos os idosos.
Ela pode ser recomendada, por exemplo, para pessoas não vacinadas que estejam acamadas ou institucionalizadas e para alguns grupos específicos.
E se alguma vacina estiver atrasada?
Ter uma vacina atrasada não significa necessariamente que todo o esquema precisa ser reiniciado.
Na maioria das situações, o profissional de saúde avalia quais doses já foram recebidas e completa apenas as que estão faltando.
Leve a caderneta ou qualquer comprovante de vacinação à Unidade Básica de Saúde.
Mesmo sem o cartão de vacinação, a pessoa pode procurar o serviço para receber orientação.
Como organizar a vacinação da família
Uma boa estratégia é revisar periodicamente as cadernetas de todos da casa — inclusive dos adultos.
Algumas atitudes simples ajudam bastante:
- guarde as cadernetas físicas em um local fácil de encontrar;
- acompanhe os registros disponíveis no Meu SUS Digital;
- anote quando será a próxima dose;
- aproveite consultas de rotina para pedir a conferência da vacinação;
- leve a caderneta nas consultas de pré-natal e de puericultura;
- procure uma unidade de saúde quando houver dúvida sobre doses atrasadas.
Para crianças, a Caderneta Digital da Criança também pode ajudar no acompanhamento.
Vacinas do SUS e vacinas da rede privada são iguais?
Nem sempre.
O SUS oferece um calendário amplo e gratuito, mas clínicas particulares podem disponibilizar vacinas com composições diferentes, combinações distintas ou indicações adicionais recomendadas por sociedades médicas.
Isso não significa que a vacinação oferecida pelo SUS seja inadequada.
Se a família pretende combinar doses do SUS com vacinas da rede privada, é importante apresentar todo o histórico de vacinação ao profissional responsável.
Isso ajuda a evitar doses desnecessárias ou intervalos inadequados.
Quem pode precisar de um calendário especial?
Algumas pessoas podem ter recomendações diferentes das apresentadas neste guia.
Isso pode acontecer especialmente em casos de:
- imunossupressão;
- doenças crônicas;
- tratamento contra câncer;
- transplantes;
- ausência do baço;
- condições neurológicas ou cardiopulmonares específicas;
- exposição ocupacional;
- viagens para áreas de risco;
- histórico de reações importantes a vacinas.
Nessas situações, a própria unidade de saúde pode orientar o acompanhamento em um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE/RIE).
Vacinação também é cuidado em família
Com tantos nomes, doses, reforços e idades diferentes, é normal não lembrar de todo o calendário de cabeça.
O mais importante é não depender apenas da memória.
Guarde a caderneta, confira os registros regularmente e aproveite as consultas para perguntar se existe alguma dose pendente.
Para quem está esperando um bebê, esse cuidado começa ainda durante o pré-natal.
Algumas das vacinas recebidas pela gestante ajudam a oferecer proteção justamente no período em que o recém-nascido ainda é pequeno demais para completar seu próprio esquema de vacinação.
Importante
Este conteúdo tem finalidade educativa e foi elaborado com base nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações vigentes em 2026.
O calendário pode ser atualizado pelo Ministério da Saúde, e o esquema indicado para cada pessoa pode mudar conforme idade, histórico de vacinação, condições clínicas, gestação, disponibilidade de imunizantes e situação epidemiológica da região.
Em caso de dúvida, procure uma Unidade Básica de Saúde ou outro profissional habilitado para avaliar a caderneta individualmente.
Fontes consultadas
- Ministério da Saúde — Calendário Nacional de Vacinação 2026.
- Ministério da Saúde — Calendário Técnico Nacional de Vacinação.
- Ministério da Saúde — Calendário Nacional de Vacinação da Gestante.
- Ministério da Saúde — Calendário Nacional de Vacinação da Criança.
- Ministério da Saúde — Guia Técnico para Introdução da Vacina Pneumocócica 20-valente no Programa Nacional de Imunizações.
- Ministério da Saúde — Guia Técnico Operacional da vacina contra dengue do Instituto Butantan.
